Há 10 anos atrás - imagino que ainda não existiam blogs - eu tinha o hábito e o prazer de escrever para partilhar com alguns amigos via e-mail os meus pensamentos, revoltas, questões e emoções que vivia em momentos muito ou pouco especiais.
Era terapêutico, era uma forma de exercício, nos mantinha sempre em contato, gerava discussões, troca de idéias e se tornou um hábito realmente prazeroso.
Como diria Aristóteles:
“Somos o que fazemos repetidamente. Por isso o mérito não está na ação e sim no hábito.”
Sinto que nesse tempo passado eu tinha melhores hábitos. Não guardava tanto as coisas só para mim e isso sempre faz bem, e não me alienava tanto, como fiz nos últimos anos.
E eu era no mínimo mais... Presente. E talvez não tão auto-suficiente, como bem exigia a minha idade.
Mas, regredindo um pouco, acho que isso começou há muito mais tempo.
A primeira vez que eu escrevi o que sentia, foi com mais ou menos uns sete anos de idade. Meu pai encontrou uma trouxa de roupa amarrada a um cabo de vassoura, como nos desenhos do Pica-pau, e junto, um bilhete:
“Pai e mãe... Fugis!
Não agüento mais a cara do meu irmão”.
(Esse bilhete ainda existe, meu pai pregou uma Xerox na geladeira da minha casa há algum tempo. Vou tentar postá-lo. Felizmente me encontraram antes da fuga)
Eu amo o meu irmão. Somos grandes amigos. Brigávamos quando crianças, como qualquer dupla de irmãos com quatro anos de diferença, mas nos tornamos grandes amigos. Graças a Deus e aos meus pais, que fizeram questão de frisar a importância que um teria na vida do outro. Conseguiram. Principalmente a minha mãe, que parecia saber que ia nos deixar cedo e que essa amizade seria um elo muito importante, como aconteceu. E é razão de muito orgulho para nós.
A verdade é que, apesar de muito esforço e sofrimento para me concentrar nas aulas ou qualquer atividade que exigisse alguma atenção, eu sempre voava. Levado a fantasiar e criar outros mundos que fosse mais fácil habitar. Ouso dizer que os que estavam a minha volta não foram capazes de captar essa diferença.
E foi aí que nasceu essa necessidade de inventar, dramatizar e escrever.
Um dia alguém olhou para mim e percebeu que eu tinha que ser ator. Bastou isso.
Se a realização como ator foi essencial para me encontrar, a escrita começa a tomar também alguma dimensão - Mesmo que estas palavras não saiam deste Blog ou sirvam apenas para arrumar as minhas idéias.
Mas confesso que a intenção não é só essa.
Há 10 anos, mudei de hábitos porque mudei radicalmente de vida. Comecei a viajar muito e acabei vivendo 6 anos fora do Brasil. Lisboa, Barcelona, Londres, Lisboa, Rio.
Seis anos de vida que mais parecem várias vidas, podem acreditar. Mas são histórias que não caberiam postadas num blog. Cheias de oposições, enfrentamentos, projeções frustradas, projetos roubados, trabalho, trabalho, trabalho. Muito aprendizado, sucesso, lindos encontros, justas recompensas, lições, superações e experiências para várias vidas. Lugares, momentos, olhares, parcerias, conquistas e amigos que ficarão para sempre marcados no meu coração. É tudo parte de mim e seria impossível partilhar por e-mail, blog, livro, filme... São fragmentos de mim, para serem impressos todos os dias com as digitais marcadas pela conquista de valor maior de toda essa busca – Experiência.
Fui dia 2/06/01 e voltei em 08/07/07
O dia da minha volta para casa foi o dia abençoado em que tive o merecimento de regressar para esta dimensão e terra abençoada que é o nosso Brasil. Sabendo muito bem o seu valor.
Para o retorno difícil, depois de seis anos, só pude contar com os amigos. Eles permaneceram. Estendendo a mão e me ajudando muito a encontrar o meu lugar.
Amigos,
é graças a vocês que estou aqui relembrando essa vida num Blog.
O Blog do Rico é dos amigos da minha vida, ou dos quiserem fazer parte dela e me tornar cada dia mais Rico.
O Blog do Rico é dedicado ao REGRESSO. Regresso ao Brasil, à Escrita e ao homem e amigo que eu fui, que sou e não posso deixar de ser. Por hábito.
Dedico este Blog ao Renato, meu irmão, que é uma parte muito bonita de mim e acredita de mim mais do que ninguém.
às minhas mães, que tanto me protegem e me projetam, a minha família, que hoje me incentiva,
E à Lu, musa inspiradora, meu amor. Que tanto me estimula. Me incentivou e ajudou inclusive a criar o Blog do Rico.
Amo todos vocês!
Bem vindos!
Obrigado, Obrigado e Obrigado!!!
Rico.
sábado, 2 de maio de 2009
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